São os afetos que dão o colorido especial à conduta de cada um e às nossas vidas. Eles se expressam nos desejos, sonhos, fantasias, expectativas, nas palavras, nos gestos, no que fazemos e pensamos. É o que nos faz viver.Os poetas expressam-nos com perfeição estados internos que não cabem na racionalidade científica:
Quanto mais desejo
Um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver. Pétala, Djavan.
A vida afetiva é parte integrante de nossa subjetividade (síntese individual e singular que cada um de nós vai constituindo a partir de nossas vivências e experiências da vida social e cultural, que nos identifica no campo comum da objetividade social). Nossas expressões não podem ser compreendidas, se não considerarmos os afetos que as acompanham.

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu, caçador de mim. Caçador de Mim, Sérgio Magrão e Luis C. Sá.
Em muitas situações da vida, são os afetos que que determinam nosso comportamento.
O prazer e a dor são as matrizes psíquicas dos afetos.
Entre eles há inúmeros matizes de afetos.
As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam,
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na fogueira das paixões. As aparências enganam.Tunai e Sérgio Natureza.
Os afetos ajudam-nos a avaliar as situações, servem de critério de valoração positiva ou negativa para as situações de nossa vida; eles preparam nossas ações, nos protegem. Os afetos podem ser enigmáticos, nossa reação não condiz com o que sentimos.
Eu já arranhei os seus discos.
Que é pra ver se você volta
Que é pra ver se você olha pra mim. Mentiras. Adriana Calcanhoto.
Nas emoções é possível observar uma relação entre os afetos e a organização corporal. Durante muito tempo, acreditou-se no coração como lugar das emoções, talvez pelo fato de, ao manifestar-se, vir frequentemente acompanhada de fortes batimentos cardíacos. Por isso até hoje desenhamos corações quando estamos apaixonados.

Meu coração
Não sei por quê
Bate feliz
Quando te vê. Carinhoso, Pixinguinha.
Outras reações orgânicas acompanham as emoções e revelam vivências ou estados emocionais do indivíduo: tremos, riso, choro, lágrimas, dores estomacais...
Nossa cultura estimula algumas reações emocionais e reprime outras. Ex: Homem não chora...
As emoções são fortes, passageiras: intensas mas não imutáveis. O que hoje nos emociona, poderá amanhã não nos emocionar mais.
Os sentimentos diferem das emoções por serem mais duradouros, menos explosivos e por não virem acompanhados de reações orgânicas.
As emoções e os sentimentos são como alimentos de nosso psiquismo.
A mente emocional é muito mais rápida que a racional, agindo sem parar para pensar. Essa rapidez exclui a reflexão deliberada, analítica que carcteriza a mente racional.
A mente emocional possui uma lógica associativa, o passado dentro do presente. Eis porque é tão difícil fazer com que alguém, sob perturbação emocional, reciocine.
A mente emocional e a recional, operam juntas, entrelaçando seus modos de conhecimento para que nos orientemos no mundo.
Uma alimenta e bloqueia a outra conforme a predominância da situação exige, requer.
Fonte: Psicologias- Uma introdução ao estudo da psicologia Ed. Saraiva.
Texto para reflexão:
De Bem com a Vida
Nye Ribeiro
Filó, a joaninha, acordou cedo.
– Que lindo dia! Vou aproveitar para visitar minha tia.
– Alô, tia Matilde. Posso ir aí hoje?
– Venha, Filó. Vou fazer um almoço bem gostoso.
Filó colocou seu vestido amarelo de bolinhas pretas, passou batom cor-de-rosa, calçou os sapatinhos de verniz, pegou o guarda-chuva
preto e saiu pela floresta: plecht, plecht...
Andou, andou... e logo encontrou Loreta, a borboleta.
– Que lindo dia!
– E pra que esse guarda-chuva preto, Filó?
– É mesmo! – pensou a joaninha. E foi para casa deixar o guarda-chuva.
De volta à floresta:
– Sapatinhos de verniz? Que exagero! – Disse o sapo Tatá. Hoje nem tem festa na floresta.
– É mesmo! – pensou a joaninha. E foi para casa trocar os sapatinhos.
De volta à floresta:
– Batom cor-de-rosa? Que esquisito! – disse Téo, o grilo falante.
– É mesmo! – disse a joaninha. E foi para casa tirar o batom.
– Vestido amarelo com bolinhas pretas? Que feio! Por que não usa o vermelho? – disse a aranha Filomena.
– É mesmo! – pensou Filó. E foi para casa trocar de vestido.
Cansada da tanto ir e voltar, Filó resmungava pelo caminho. O sol estava tão quente que a joaninha resolveu desistir do passeio.
Chegando em casa, ligou para tia Matilde.
– Titia, vou deixar a visita para outro dia.
– O que aconteceu, Filó? – Ah! Tia Matilde! Acordei cedo, me arrumei bem bonita e saí andando pela floresta. Mas no caminho...
– Lembre–se, Filozinha... gosto de você do jeitinho que você é. Venha amanhã, estarei te esperando com um almoço bem gostoso.
No dia seguinte, Filó acordou de bem com a vida. Colocou seu vestido amarelo de bolinhas pretas, amarrou a fita na cabeça, passou batom cor-de-rosa, calçou seus sapatinhos de verniz, pegou o guarda-chuva preto, saiu andando apressadinha pela floresta, plecht, plecht, plecht... e só parou para descansar no colo gostoso da tia Matilde.
Como podemos descrever o comportamento da Filó?
Quem representam os outros animais?
O que representa a Tia Matilde?
Nye Ribeiro, autora desta fábula, é educadora e jornalista. Nina Moraes, que ilustrou este conto com desenhos e colagens em tecido, é gaúcha de Porto Alegre. Jornalista e ilustradora. Texto da Revista Nova Escola ed. Junho de 2007.
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